quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dúvida (Doubt, 2008, de John Patrick Shanley)



Distorções

Não tem uma história impactante. No final, nenhum segredo é desvendado. Parece que nada acontece durante quase duas horas de filme. Dúvida (Doubt, 2008, de John Patrick Shanley, baseado em sua peça teatral) se destaca pelos diálogos precisos. E o elenco hipnotiza: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams. Numa escola católica do Bronx, em 1964, padre é acusado por duas freiras (uma, jovem e inocente; a outra, veterana, rígida e conservadora) de pedofilia. No final das contas, fica mesmo a dúvida do título e uma outra: não se sabe se o filme toma alguma posição. Por um lado, quase acreditamos que as freiras estão certas; por outro, depois da conversa que Irmã Aloysius (Streep) tem com a mãe (Viola Davis) do garoto supostamente assediado pelo padre, a dúvida ganha novo significado. Afinal, a mulher sugere que o assédio pode ter partido do próprio filho. O outro lado da moeda: padres assediados por meninos e meninas estariam acima do Bem, do Mal e da Culpa? Grandes interpretações numa produção caprichada, em que enquadramentos “tortos” e a presença constante do vento denunciam uma certa e ameaçadora distorção dentro dessa instituição, que, para todos os efeitos, continua inabalável.







Indicações ao Oscar 2008:

• Meryl Streep (melhor atriz)
• Amy Adams (melhor atriz coadjuvante)
• Philip Seymour Hoffman (melhor ator coadjuvante)
• Viola Davis (atriz coadjuvante)
• Melhor roteiro adaptado

2 comentários:

  1. MUUUUUUITO melhor do que a resenha do Rubens Ewald Filho. Realmente um filme imperdível que vale prestar atenção a cada detalhe: do tom de voz aos olhares dos personagens, iluminação "cinza triste", a natureza expressando os sentimentos... Vale pensar se nós também não temos "nossas certezas absolutas e verdades acima de qualquer questionamento". Quem não as tiver, assista ao filme novamente antes de atirar a primeira pedra.

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