quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Troca (Changeling, 2008, de Clint Eastwod)



Sobre Meninos e Lobos

O machão dos westerns-spaghetti, Clint Eastwood, virou um sentimentalóide. Mas no bom sentido. A Troca (Changeling, 2008) é a confirmação de um artista que ao longo de décadas foi aprimorando sua profissão e tornando-se cada vez mais sensível aos dramas humanos. Clint se transformou em um dos diretores mais competentes dos últimos 30 anos. E Angelina Jolie começa aqui sua maturidade como atriz. Apesar dos lábios absurdamente vermelhos em várias cenas (caracterização de época; o filme se passa nos anos 20), ela interpreta de maneira convincente a mãe desesperada em busca do filho desaparecido. Baseado em uma história real ocorrida em Los Angeles em 1928, Clint Eastwood vai além desse fio de narrativa para montar um painel devastador sobre a polícia da época, uma instituição que amontoava incompetentes, corruptos de toda espécie e esquadrões da morte... tudo intimamente ligado a políticos não menos safados. A questão é: alguma coisa mudou depois de quase 100 anos, em Los Angeles ou no resto do mundo?
A Troca é cinema dos bons, feito aos moldes antigos; nada de câmera tremida, cortes bruscos ou detalhes e situações que fujam da história. E no final há uma bela homenagem ao filme de Frank Capra, Aconteceu Naquela Noite (1934), uma das comédias românticas mais adoráveis de todos os tempos - único momento de descontração depois de quase duas horas e meia.









Indicações ao Oscar 2008:

• Angelina Jolie (melhor atriz)
• Melhor Direção de Arte
• Melhor fotografia

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