segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Leitor (The Reader, 2008, de Stephen Dalpry)



FILME SE PERDE NUMA SALADA DE GÊNEROS

O filme de Stephen Dalpry não deslancha e não cria nenhuma cena ou sequência dignas de nota. A não ser pela interpretação de Kate Winslet (indicada ao Oscar). Em determinados momentos ela é a cara da Meryl Streep, veteraníssima dessa festa mais agitada, careta e previsível do cinema. O Leitor tem história boa (mais uma a colocar o Holocausto como tema), aposta no romance entre um adolescente e uma mulher madura, muda o foco para o drama de tribunal, com prisioneiras nazistas sendo julgadas, e acaba como um melodrama (quer ver o Ralph Fiennes aos prantos?). Nada contra essa salada de gêneros. Aqui, o problema é que o espectador não sabe, no final das contas, se é para chorar pelo amor perdido (mas eterno) dos personagens ou se é para ficar chocado (mais uma vez) com as atrocidades nazistas na Segunda Guerra. Se a intenção era provocar as duas reações, roteirista e diretor não conseguiram.



Indicações ao Oscar 2009:

•Melhor diretor: Stephen Dalpry
•Melhor atriz: Kate Winslet
•Melhor roteiro adaptado: David Hare
•Melhor fotografia








Filmes imperdíveis do diretor:

- Billy Elliot (2000)
- As Horas (2002)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Taylor Dayne - Satisfied (2008)



A VOZ COMO INSTRUMENTO E O PRAZER DE CANTAR

Com um pé na soul music e no blues e outro no pop e no rock, a cantora americana Taylor Dayne é uma estrela solitária no mundo da música, apesar de ter alcançado alguns sucessos dançantes nos anos 90. É uma estrela solitária porque não aparece na mídia a todo instante, não expõe sua intimidade, não protagoniza escândalos. Parece mesmo que não faz questão de publicidade, apesar de algumas fotos dela estarem por aí mostrando um certo estrago por conta de aplicações de botox ou coisa que o valha (a foto da capa do disco denuncia a tragédia). Mulherão dessas de “fechar o comércio”, Taylor Dayne tem talento para dar e vender em todos os sentidos. Musicalmente, então, é literalmente um show à parte: sua voz é um verdadeiro instrumento, aliado ao prazer que fica mais evidente a cada melodia, seja narrando histórias de amores desfeitos ou elogios à pessoa amada. O disco Satisfied é de 2008 e traz 13 canções impecáveis. Começa com um pouco de balanço, vai por caminhos mais amenos, às vezes tortuosos, e termina de forma densa e melancólica. Enfim, um trabalho maduro, de uma artista “Satisfeita” com o que faz, como sugere o título, e é para ser ouvido na solidão do quarto, só ou em boa companhia.

Discografia:

1988 – Tell It to My Heart

1989 – Can’t Fight Fate

1992 – Soul Dancing

1998 – Naked Without You

2003 – Performance

2003 – The Hits Live

2003 – Greatest Hits Live

2006 – Live

2008 - Satisfied



As músicas – “Satisfied” (2008):

•01 – Beautiful
•02 - I'm Over My Head
•03 - My Heart Can't Change
•04 - She Don't Love You
•05 - Under the Bridge
•06 – Satisfied
•07 – Dedicated
•08 - Kissing You
•09 – Crash
•10 - The Fall
•11 - Love Chain
•12 - Fool to Cry
•13 – Hymn

Ouça o disco – link em “Comentários”

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Elton John e Suas Três Jóias Raras



Três músicas "menos" famosas/tocadas/ouvidas do astro pop:

Roy Rogers
We All Fall in Love Sometimes
Rocket Man

A Troca (Changeling, 2008, de Clint Eastwod)



Sobre Meninos e Lobos

O machão dos westerns-spaghetti, Clint Eastwood, virou um sentimentalóide. Mas no bom sentido. A Troca (Changeling, 2008) é a confirmação de um artista que ao longo de décadas foi aprimorando sua profissão e tornando-se cada vez mais sensível aos dramas humanos. Clint se transformou em um dos diretores mais competentes dos últimos 30 anos. E Angelina Jolie começa aqui sua maturidade como atriz. Apesar dos lábios absurdamente vermelhos em várias cenas (caracterização de época; o filme se passa nos anos 20), ela interpreta de maneira convincente a mãe desesperada em busca do filho desaparecido. Baseado em uma história real ocorrida em Los Angeles em 1928, Clint Eastwood vai além desse fio de narrativa para montar um painel devastador sobre a polícia da época, uma instituição que amontoava incompetentes, corruptos de toda espécie e esquadrões da morte... tudo intimamente ligado a políticos não menos safados. A questão é: alguma coisa mudou depois de quase 100 anos, em Los Angeles ou no resto do mundo?
A Troca é cinema dos bons, feito aos moldes antigos; nada de câmera tremida, cortes bruscos ou detalhes e situações que fujam da história. E no final há uma bela homenagem ao filme de Frank Capra, Aconteceu Naquela Noite (1934), uma das comédias românticas mais adoráveis de todos os tempos - único momento de descontração depois de quase duas horas e meia.









Indicações ao Oscar 2008:

• Angelina Jolie (melhor atriz)
• Melhor Direção de Arte
• Melhor fotografia

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Dúvida (Doubt, 2008, de John Patrick Shanley)



Distorções

Não tem uma história impactante. No final, nenhum segredo é desvendado. Parece que nada acontece durante quase duas horas de filme. Dúvida (Doubt, 2008, de John Patrick Shanley, baseado em sua peça teatral) se destaca pelos diálogos precisos. E o elenco hipnotiza: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams. Numa escola católica do Bronx, em 1964, padre é acusado por duas freiras (uma, jovem e inocente; a outra, veterana, rígida e conservadora) de pedofilia. No final das contas, fica mesmo a dúvida do título e uma outra: não se sabe se o filme toma alguma posição. Por um lado, quase acreditamos que as freiras estão certas; por outro, depois da conversa que Irmã Aloysius (Streep) tem com a mãe (Viola Davis) do garoto supostamente assediado pelo padre, a dúvida ganha novo significado. Afinal, a mulher sugere que o assédio pode ter partido do próprio filho. O outro lado da moeda: padres assediados por meninos e meninas estariam acima do Bem, do Mal e da Culpa? Grandes interpretações numa produção caprichada, em que enquadramentos “tortos” e a presença constante do vento denunciam uma certa e ameaçadora distorção dentro dessa instituição, que, para todos os efeitos, continua inabalável.







Indicações ao Oscar 2008:

• Meryl Streep (melhor atriz)
• Amy Adams (melhor atriz coadjuvante)
• Philip Seymour Hoffman (melhor ator coadjuvante)
• Viola Davis (atriz coadjuvante)
• Melhor roteiro adaptado

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Zimbo Trio: Opus Pop - Zimbo e Orquestra, Clássicos com Bossa (1972)

NOSSO QUERIDO ZIMBO TRIO

Sem muitas palavras... aqui o que vale é ouvir. E brasileiro é danado mesmo, consegue transformar a 9ª Sinfonia de Beethoven em Bossa Nova.



As faixas:

01. Scheherazade
02. 9ª Sinfonia
03. Pavane pour une Infante Defunte
04. Aria para Corda Sol
05. Primavera das Quatro Estações
06. Prelúdio nº 2
07. O Lago dos Cisnes
08. Bachianas Brasileiras nº 5 - Cantinela
09. Pavane
10. Sinfonia nº 40

Ouça o disco: link em "Comentários"

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Nancy Wilson - "Nancy" - 1969

"Apenas" uma grande voz

Uma viagem no tempo até 1969, na voz de Nancy Wilson. Em janeiro daquele ano, ela lançava esse disco, mesclando jazz, R&B e pop. Saiu aqui no Brasil pela Odeon, em duas versões: mono e estéreo. Na versão em estéreo vinha um encarte chamando a atenção para as maravilhas do Som Estereofônico. Naquela época nem todo mundo podia ter uma vitrola à altura, apropriada para essa tecnologia. Bem, tecnologia que lá fora já vinha desde os anos 50. Quinze, vinte anos depois, aqui no Brasil ainda era novidade.




Elegância

Dona de uma voz única, Nancy Wilson sempre foi pura elegância. Seus discos teriam de ser tocados obrigatoriamente nas aulas de canto pra muita gente aprender essa arte como se deve. E as músicas são de primeira, como em toda a carreira da cantora. Bom gosto se discute sim e se ensina e se aprende. E aqui está o exemplo.

Nancy grava desde 1959. Seu último disco é de 2006, Turned to Blue (que ainda não tenho e nunca ouvi!). Dia 20 de fevereiro ela faz 72 anos.

As faixas:

01 – I’m Your Special Fool
02 – Prisoner of My Eyes
03 – Player Play On
04 – Only Love
05 – Looking Back
06 – If We Only Have Love
07 – In a Long White Room
08 – You’d Better Go
09 – Quiet Soul
10 – What Do You See in Her?
11 – We Could Learn Together

Digitalização e remasterização feitas por mim a partir do LP estéreo original, lançado no Brasil em 1969, que arrematei num desses sebos geniais aqui de São Paulo.

Ouça o disco: link em “Comentários”.